Desafio Caminho de Aparecida MTB 2019

Desafio Caminho de Aparecida

Desafio Caminho de Aparecida por Vicente Barbosa

Mas não dava pra fazer naquele frio congelante, gripado, sozinho, no escuro. Consegui um lugar pra dormir na casa de uns cavaleiros, que me deram um colchão e uma capa de cavalo para eu me cobrir. Dentro do prazo oficial da prova (20h de pedal), eu consegui fazer toda a parte difícil pedalável, até o alto da montanha.

Vicente em Turvolândia Desafio Caminho de Aparecida
Vicente em Turvolândia Desafio Caminho de Aparecida

Quando iniciei o Desafio Caminho de Aparecida às onze da noite, quarenta minutos depois da largada, eu não imaginava que passaria a noite seguinte enrolado numa capa de cavalo de couro duro, encolhendo as pernas para caber dentro dela, com temperatura próxima de zero.Gripado há 2 semanas, o desafio era sair de Alfenas/MG e chegar em até 20h de pedal em Aparecida/SP. Mas eu passei uma segunda noite no alto da Serra da Mantiqueira.

Larguei muito forte no Desafio Caminho de Aparecida, o carro batedor estava na minha cola, porque eu saí acima do ponto de corte. Se não tirasse o atraso, seria obrigado a abandonar a prova.Por isso sentei o bambu, mas não consegui manter o ritmo. Depois de muita serra, uma noite inteira e um dia inteiro pedalando, 232km e uma montanha final, cheguei ao bairro do Charco, no alto da Mantiqueira. Já estava escurecendo.

Dormindo na serra da mantiqueira
Dormindo na serra da mantiqueira

Dali em diante havia o empurra-bike da trilha dos carneiros, com inclinações de mais de 30 graus, muitas valas e também mata fechada.Lugar perigoso. Bem que eu gostaria de ter seguido em frente, porque depois daquela última parte difícil só tinha um descidão e uma parte plana.

O resto eu completei no dia seguinte, já sem valer pelo prova, apenas para concluir o Desafio Caminho de Aparecida.

Qual era a minha bike pelo Desafio?

Fui numa Trek 950 de 1994, aro 26, garfo rígido, freios cantilever. Depois do km 200, eu já estava usando o polegar esquerdo no passador direito, porque o polegar direito não aguentava mais.Agradeci a Deus quando cheguei ao Santuário de N.Sra.Aparecida. Fui muito abençoado de achar um lugar para pousar no alto da montanha, entre pessoas de bem, e uma capa de cavalo para me cobrir. Talvez tenha sido por intercessão de Maria, que acomodou o menino Jesus numa manjedoura, junto aos cavalos e bois, em terra de pastores.

Uma prova como o “Desafio Caminho de Aparecida MTB”, a gente só faz com as bençãos de Deus.

Vicente Barbosa é…

servidor público federal, 52 anos, pedalou dos Estados Unidos ao Brasil de 09/12/1994 a 09/07/1995, percorrendo 14.000km e 13 países em exatos 7 meses. Paraquedista, piloto de planador e de avião ultraleve, mergulhador, velejador, ciclista e maratonista, manteve a bicicleta guardada sem uso por 23 anos. Em 2018, voltou a pedalar, dessa vez em trilhas e estradões de terra, com a mesma Trek 950 aro 26 de garfo rígido usada na cicloviagem interamericana. Desde então, já fez o Caminho da Fé, Caminho de Cora Coralina, Caminho de Aparecida e muitos outros pedais longos de elevada altimetria, seus prediletos.

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